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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28471: Convívios (1081): Os antigos combatentes da vila de Loriga, a princesa da Serra da Estrela, homenagearam as suas mães, no almoço-convívio realizado na Escola Secundária de Sacavém, no passado sábado, dia 17 - Parte IV


Foto nº 32



Foto nº 33


Foto nº 34


Foto nº 35


Foto nº 36


Foto nº 37


Foto nº 38


Foto nº 39


Loures > Sacavém > Escola Secundária de Sacavém > 17 de outubro de 2026 > Almoço-convívio dos antigos combatentes do ultramar de Loriga, Seia (*)



Fotos (e legendas)  © Zé Fernandes Pina (2026). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné] (Cortesia da página do facebook do loriguense Zé Fernanes Pina, antiogo combatenmte)


Legenda das fotos  nº 35 e 36:  "A mesa da comissão organizadora: de costas, em primeioro plano, o António de Brito Ribeiro,  ladeado  à direita por outro elemento da comissão organizadora do almoço-convívio, o Gabriel Pina; e à esquerda, pelo presidente da Junta de Freguesia de Loriga, Luís Costa, que veio cá abaixo com uma delegação de gente da aquela terra serrana, de gente voluntariosa, trabalhadora e bairrista (tem hoje c. de 850 habitantes; tinha em 1950, no auge da indústria de lanifícios, c. de 3 mil). Outros elementos da comissão organizadora, que estavam presentes na mesa nº 1: além do António Ribeiro (Guiné) e do Gabriel Pina (Moçambique):  António Fernandes (Guiné); José Manuel Alves (Angola); e José Ambrósio (Guiné). Há ima um convidado, represent6ante da CM Loures".

Legenda da foto nº 37: "Mesa nº 5, membros da Tabanda da Linha e da Tabanca Grande".


1. Mais fotos do memorável almoço-convívio dos antigos combatentes de Loriga, Seia, realizado no passado sábado, em  17 de outubro de 2026, na Escola Secundária de Sacavém. As fotos acima são do José Fernandes Pina, loriguense,  nascido em 1949 (pertenceu à 32ª CCmds, esteve  29 meses no Ultramar, 3 em Angola, e o restante tempo em Moçambique, fev 1971 / julho 1973; segundo percebi da sua ficha de combatente, foi condutor auto; vive em Loriga).

Publicamos também informação adicional sobre o encontro e os seus participantes:

1.1. Mensagem de António Brito Ribeiro

Data - quinta, 22/10/2026, 17:58

Maria de Jesus Mendes
Assunto - Registo de Memórias e Homenagem a Mãe

 Boa tarde, amigo Luís Graça,

Como prometido, envio em anexo o registo de memórias de alguns ex combatentes de Loriga que eu e o Adelino Pina (Alemanha) conseguimos registar com base em textos enviados pelos próprios, ou redigidos por nós com base em dados recolhidos (86 páginas em formato A4) .

Cada memória é a recordação / passagem, contada na primeira pessoa, de uma fase da nossa vida, que agora tem um sentimento especial mais ou menos sentido, mas quase sempre doloroso.

Por curiosidade encaminho-te para os textos dos dois “José Brito Ribeiro”, um na India e o outro (meu irmão) em Moçambique.

Envio-te também a folha de homenagem de Maria de Jesus Mendes, mãe de 4 filhos, ainda vivos que estiveram no ultramar:
  • Fernando António Mendes Alves, Moçambique, 61/63, Exército,
  • Nuno Mendes Alves Pereira, Moçambique, 70/72, Paraquedista,
  • Tarcísio Mendes Pereira, Timor, 68/70, Exército,
  • Vítor Manuel Mendes Alves, Angola, 71/73, Exército.

Em Loriga ainda houve outra família / mãe com 4 filhos no ultramar. Penso que poucas famílias tiveram esse n.º de filhos enviados para a guerra colonial. Gostaria que evidenciasses esta situação, porque estas MÃES devem ser devidamente homenageadas.

Abraço, António Ribeiro.

1.2.  Mensagem de  Luís Graça (by email)

Data - sábado, 24/10/2026, 21:32

António (e companheiros da mesa nº 5, em C/C) (Foto nº 37)

António: obrigado pelos documentos que me mandaste (o teu CV, que vou ler com toda atenção + testemunhos de antigos combatentes loriguenses, os da Guiné poderei publicar na Tabanca Grande + a foto da mãe loriguense Maria de Jesus Mendes que teve 4 filhos mobilizados, mas tu falaste de uma outra, que também me escapou, quando visionei o painel, "au vol d'oiseau")...

Publiquei já  a 3ª parte da nossa "reportagem" do encontro de sábado... E aproveito para pedir:

(i) ao Manuel Resende, para me confirmar os nomes dos membros da Tabanca da Linha, da mesa do Orlando Pinela, o Alpoim (Algés) e sobretudo o Ambrósio (Lisboa) (Foto nº 30);

(ii) a ti e ao Jaime, para me confirmarem o nome do antigo combatente que esteve em Angola e ainda é pastor na Serra da Estrela...Fiquei com a ideia que se chamava Abílio (Foto nº 31);

(iii) ao Hélder, para me lembrar o nome do "loriguense", dos TSF, que ele foi render em Piche (e que esteve no almoço);

(iv) ao João Crisóstomo, para me escrever "duas linhas" com as suas impressões (dele e da Vilma) sobre o encontro...(Oh, Vilma, não ficaste para o fim, houve música africana, como tu gostarias de ter ouvido ouvir, bolo da festa e "champanha"...).

Um alfabravo, para ti e todos os "camarigos" a quem mando esta mensagem em C/C.

PS - Já te transmiti, António, a impressão da Alice: em geral crítica como todas as nossas companheiras em relação a estes encontros ("da tropa"), foi sincera e pediu-me para te dizer que adorou e que te manda, a ti e demais loriguenses presentes, um abraço fraterno... Ficou impressionada com o nível do encontro em todos os aspetos. E ficou com vontade de, um dia destes, dar um salto até Loriga...

domingo, 25 de outubro de 2026 às 06:09:08 WET


1.3. Comentário do Hélder Sousa
 
Ora bem, aceitando o desafio do Luís Graça, sempre posso dizer que apesar de já termos estado em troca de comentários, nunca tinha chegado a estar "ao vivo" com o "Zé Bentinha", pois é esse o nome pelo qual ele responde, embora saiba que "Bentinha" é uma espécie de alcunha.

Ora o "Zé Bentinha" era o homem que tinha a responsabilidade de Posto do STM em Piche, imediatamente entes de eu para lá ser enviado. Por um motivo qualquer, que nunca esclareci bem, ele saiu de Piche e por esse motivo a chefia do referido Posto sofreu um hiato até à minha chegada na primeira semana de Dezembro de 1970.

Na prática fui substituí-lo mas nunca cheguei a estar com ele.

Já descobri, entretanto, que o "Zé Bentinha" é o José Mendes Gouveia, conforme escreveu, faz pouco tempo, o Brito Ribeiro nos comentários a outro "post".

Quanto ao evento foi, de facto, notável. Tanto na organização como na forma como decorreu. Sinceramente fiquei agradavelmente surpreendido. E aproveitei, a par do Jaime Suilva para voltar a praticar "falar francês" com a Vilma Kracun, esposa do João Crisóstomo.

Relativamente ao António Brito Ribeiro pois também foi um conjunto de circunstâncias que se precipitaram. Já o conhecia dos encontros na Tabanca da Linha, onde vou irregularmente, mas, claro, sabia dele muito pouco. E ele de mim.

Sabia que tinha estado na Guiné mas não quando nem onde.

Agora já sei que esteve em rendição individual no Batalhão de Piche que antecedeu aquele ao qual também estive adido durante cerca de 6 meses, mas não nos encontrámos por lá.

Entretanto ele também andou a pesquisar e ficou a saber que eu também era Engenheiro Técnico e telefonou-me na passada sexta-feira para saber se eu também pertencia à OET (Ordem dos Engenheiros Técnicos) e se sabia dum evento que iria ocorrer (e ocorreu) no sábado, dia 24 e, caso sim, se iria lá, para nos voltarmos a encontrar ao vivo.

Disse-lhe que sim e que certamente teria uma surpresa, pois não lhe disse que seria um dos oradores e que sou detentor de um cargo na instituição.

Correu tudo muito bem, exceto o facto de ele ter sido homenageado no grupo dos membros com 25 anos de associados, quando o deveria ter sido no grupo dos de 50 anos, o que o deixou bastante aborrecido.

Certamente foi um caso de erro administrativo (perfeitamente possível, dada a quantidade de elementos a tratar) mas que tivemos a possibilidade de abordar com o Bastonário, o qual, conjuntamente comigo, ficámos de averiguar o sucedido e depois agir em conformidade.

Na prática, um conjunto de sucessivos acontecimentos que se precipitaram e que mostram como a nossa "teia de contactos" permite estas coisas: 

(i) o João Crisóstomo ao dar-me os parabéns pelo telefone disse-me que gostaria de dar ao vivo e que devia contactar o Manuel Resende para que isso fosse possível num almoço em Sacavém; falei com o Resende que me passou ao Brito Ribeiro e assim lá fui;

(ii) conversa puxa conversa, e o Brito Ribeiro apercebeu-se da minha "função civil", seguiu a pista, e acabámos por nos encontrar num evento bem significativo;

(iii) sucedeu um percalço e, fruto do (re)conhecimento recente, tal será certamente resolvido.

Abraço, HS

domingo, 25 de outubro de 2026 às 23:57:00 WET 


1.4. Mensagem do A. Brito Ribeiro (by email)

Data - domingo, 25/10/2026, 23:37

Boa noite Luís,

Antes de mais um bem-hajas pelo relevo que tens dado ao evento realizado pelos ex-combatentes loriguenses de homenagem às suas mães.

Vou tentar responder às solicitações / observações que colocaste.

Como te referi, existem em Loriga 2 famílias/mães que tiveram 4 filhos no ultramar, uma foi a que te indiquei, Maria de Jesus Mendes. Não consegui indicação do nome da outra mãe que teve 2 filhos na Guiné, 1 em Angola e 1 em Moçambique (mas vou procurar).

Na mesa do Alpoim e do Orlando Pineda esteve outro magnífico da Tabanca da Linha, Fernando Pereira Ambrósio (Guiné 73/74) (Foto nº 30) (*).

Além do Fernando e de mim, estiveram ainda no evento mais 2 magníficos, o António Mendes Fernandes (mesa 1) e o José Mendes Fernandes (mesa 7). Faltou ainda à ultima hora o magnífico António Santos Pina.

O antigo combatente em Angola (67/68), pastor na Serra da Estrela, é o Abílio Gomes de Brito (Foto nº 31(.

O Combatente presente que como o Hélder pertencia às transmissões STM, é o José Mendes Gouveia (70/72), que atua no grupo Chão da Ribeira (baixo), irmão da vocalista Maria Mendes, que tu já enalteceste. Também esteve em Piche simultaneamente comigo, comforme foto que te envio em anexo.

Podes ter a certeza que tanto tu como a Alice serão sempre bem-vindos e bem recebidos em Loriga e irão adorar.

Abraço a todos,

António Ribeiro

quarta-feira, 28 de outubro de 2026 às 22:45:38 WET


 (Seleção, revisão / fixação de texto: LG)

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28454: Convívios (1079): Os antigos combatentes da vila de Loriga, a princesa da Serra da Estrela, homenagearam as suas mães, no almoço-convívio realizado na Escola Secundária de Sacavém, no passado sábado, dia 17 - Parte II




Foto nº 17 > O António de Brito Ribeiro brindou-nos, no fim da refeição, com um magnífico uísque velho, da sua "garrafeira da Guiné"... Um "Whytte & Macakays'", 21 anos... Um rótulo com um tremendo sinbolismo!    

Ainda com o estojo, esta garrafa  devia valer, no   mercado de coleccionismo,  entre os 200 e os 300 euros,  dizem os entendidos...

Dividido irmamente, chegou para todos. Estava em ótimo estado de conservação... Revelou-se um verdadeiro néctar. Foi bebido também em homenagem das mães de Loriga (*)... Os seus filhos tinham, em geral, na altura,  a idade deste "scotch": 21 anos...


Foto nº 18 > O António foi um dos elementos da comissão organizadora mais presentes no evento: ele não parou, falou com toda a gente, foi a todas as mesas,  esteve atento a tudo e a todos...Por outro lado, é difícil não  dar nas vistas, sendo ele um calmeirão... Aqui na nossa mesa, a nº 5, com o Manuel Resende, o régulo da Tabanca da  Linha, e o Hélder Sousa (que veio aqui encontrar o "velhinho" que ele veio substituir em Piche...)


Foto nº 19 > Sempre gentil, afável e cavalheiro, o Antóni0 explica à Alice Carneiro e à Isaura (esposa do Manuel Resende) a história desta garrafa, umas das últimas da sua "garrafeirra da Guiné!...


Foto nº 20 > À direita, o António e ao centro o seu irmão José (de Brito Ribeiro) que também esteve na Guiné, como alferes miliciano, em Bissau, na Amura, na 3ª Rep /QG / CCFAG, a "Rep do IN" (Informações), disse-nos ele com piada... (Engenheiro-quimico, foi gestor no Grupo CUF.) Há um terceiro irmão, o Jorge, que foi mobilizado para Moçambique, onde foi ferido. Não esteve presente neste encontro. O António tem ainda mais duas irmãs vivas, mais novas.


Foto nº 21 > O António e o Abílio (?), um camarada de veio de Loriga de propósito: esteve em Angola (abr 1967/ mai 1969) e ainda hoje é pastor na Serra da Estrela.  O António estebva na Guiné, tem fiota amarela; o Abílio (?) tem fita encarnada, esteve em Angola.

O Abílio (?) pertenceu à CCAÇ 1696 (divisa "Firmes e Constantes"):  (i) esta subunidade esteve colocada na Zona Norte de Angola, mais especificamente no setor de Nambuangongo, tendo como base principal a Fazenda Madureira e com destacamentos noutras localidades da região, como Santa Eulália; (ii) foi mobilizada pelo Regimento de Infantaria 15 (RI 15 - Tomar); (iii) embarcou em Lisboa no T/T Vera Cruz a 15 de abril de 1967, chegando ao porto de Luanda a 24 de abril de 1967; o pessoal regressou a casa em maio de 1969;  (iv) era comandada pelo cap mil inf Joaquim Inácio Machado de Sola Campos; (v) operou numa das zonas de guerrilha mais ativas e difíceis da altura (o triângulo do café nos Dembos/Nambuangongo), realizando patrulhamentos e escoltas nos itinerários entre Nambuangongo, Madureira e Muxaluando.

Não confundir o Abílio com o António Macedo (n. 1948), outro pastor da serra da Estrela, loriguense de gema, que recentemente foi vedeta do  programa da RTP1, "Pão da Nossa Terra > Pão da Serra  da Estrela > Ep 1 > 28 de setembro de 2026 (vd. a partir de 09:50). Embora  o Abílio e o Antõnio tenham algumas parecebças físicas,  o primeiro é mais velho (deve ter nascido por volta de 1945; e o António, que tinha 13 anos em 1961,  é mais conversador, pelo que pude observador o programa da RTP).


Foto nº 22 >  A mesda da comissão organizadora: o António ao centro, ladeado  à esquerda por outro elemento da comissão organizadora do almoço-convívio, o Gabriel Pina; e à direita, pelo presidente da Junta de Freguesia de Loriga, Luís Costa, que veio cá abaixo com uma delegação de gente da aquela terra serrana, de gente voluntariosa, trabalhadora e bairrista (tem hoje c. de 850 habitantes; tinha em 1950, no auge da indústria de lanifícios, c. de 3 mil).

Outros elementos da comissão organizadora, que estavam presentes na mesa, além do António Ribeiro (Guiné) e do Gabriel Pina (Moçambique):  António Fernandes (Guiné); José Manuel Alves (Angola); e José Ambrósio (Guiné).

Segundo me informou o António de Brito Ribeiro, a ANALOR (Associação  dos Naturais e Amigos de Loriga) (com sede em Sacavém, mesmo aqui ao lado da escola secundária) realiza todos os anos a "semana serrana". Aqui, em Sacavém, terra que está geminada com Loriga. Um evento que abrange diversas actividades, da cultura à diversão. Este ano o ponto alto foi a apresentação dos livros do filho e historiador de Loriga, Augusto Moura Brito (que tive o prazer de conhecer pessoalmente no sábado).

Ainda segundo a nossa fonte, estão identificados 338 antigos combatentes loriguenses, e não 235 como referi no poste anterior (*) (dado que vou corrigir). Existem ainda cerac de meia centena, nascidos entre 1941 e 1952, que o António ainda não conseguiu contactar para saber em que teatro de operações estiveram presentes.

Desses 338 loriguenses identificados, sabe-se o seguinte: 

(i) eram filhos de 265 mães; 

(ii) duas mães tiveram, cada uma, 4 filhos no ultramar; 

(iii) 14 tiveram 3 filhos (é o caso da mãe do António, Aurora de Brito Pina Ribeiro. 1925-2014); 

(iv) 39 tiveram 2 filhos no ultramar. 

"Foi uma desumanidade!", comenta o António...



Loures > Sacavém > Escola Secundária de Sacavém > 17 de outubro de 2026 > Almoço-convívio dos antigos combatentes do ultramar de Loriga, Seia (*)


Fotos (e legendas): © Luís Graça  (2026). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
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Nota do editor LG:

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28337: Humor de caserna (291): Homenagem aos nossos comentadores: aos que já partiram, e aos que ainda resistem...

 






Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Alberto Branquinho (2010)
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné



1. Era para sair, anteontem,  com o poste P28327 (*). Mas a "gaija" (a menina da IA) sabotou-me o trabalho. Trocou-me os nomes todos, depois de muitas horas a "partir pedra". Deitei a toalha ao chão, chamei-lhe uma data de nomes feios e depois fui fotografar as uvas que vão ser colhidas no próximo sábado, e que irão vão fazer o melhor vinho verde  branco, Nita, DOC,  de 2026.

Retomei hoje o trabalho. Tive de sacrificar alguns nomes que não cabem nesta BD. Ficam para a próxima: Artur Conceição, Fernando Gouveia, José Câmara,  José Casimiro de Carvalho, José Ferreira da Silva, José Marcelino Martins, Vitor Junqueira... Do Carlos Nabeiro não tenh0 foto, e dos anónimos não posso adivinhar quem são (ou eram). Tirando o  Zé Belo, que esse tem "visto Gold"...

Com este poste damos por encerrada esta brincadeira de caserna, até por que o Alberto Branquinho,  o criador da personagem (o tal "básico" que tratava das coisas dos oficiais da companhia, e que trocava os "vês" pelos "bês", sendo uma espécie de "ordenança adhoc"),
 também acha que já tem protagonismo a mais no nosso blogue.

Mas antes de "partirmos para outra" (que o blogue é um carrossel de empções e memórias), convém que fique claro o seguinte: A reprodução fonética da troca do "vê" pelo "bê" ("bocemessê", "inbenções", "labadeira", "cerbeijas", ") e o uso de termos típicos da linguagem popular e do Norte ("gaija", "bossemessê", "prái") não servem aqui para gozar com a iliteracia, ou o sotque nortenho-.  Pelo contrário: conferem uma autenticidade humana e geográfica imediata.

A Guerra Colonial colocou lado a lado no mesmo espaço físico e na mesma ansiedade rapazes de Viana do Castelo, de Ovar, do Porto, de Aveiro, da Nazaré, de Bragança, da Covilhã, de Beja, de Faro, de  Lisboa, das ilhas..., mas também do ultramar (de Cabo Verde a Macau).  

Ao "ler" aquele sotaque, cada comentador "ouviu" instantaneamente na sua cabeça o seu próprio camarada de armas, o ordenança do seu capitão, o ajudante da cozinha que era básico... Não se está, pois, a acincalhar ninguém, nem muito menos reabrir guerras sociolinguísticas entre nortistas e sulistas... Afinal, trocar os "bês" pelos "vês", é natural e foneticamemnte correto, acontece em diversas línguas latinas (e outras) e chama-se... betacismo.

Quanto ao protagonismo, ele é de todos nós, os que todos os dias fazemos pacientemente o blogue, autores, editores, leitores, comentadores, e todos os demais colaboradores permanentes, uns mais ativos do que outros  nesta fase do campeonato, e todos já muito cansados de palmilhar quilómetros e quilómetros,  pela picada da vida fora, e de resto  minada  e armadilhada, desde muito cedo, para a maior parte de nós, que não nascemos em berço de ouro... 

Aos que já partiram e aos que ainda resistem, tiro o meu quico!... É em honra de todos eles, e não apenas dos que aqui estão "representados", que dedico esta BD.
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Nota do editor LG:

(*) Último poste da série > 7 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28327: Humor de caserna (290 ): A propósito da "Assinatura Ilegível", de Alberto Branquinho... Uma paródia aos "básicos" que, afinal, fomos todos nós, e que mereceu 39 comentários no blogue há 16 anos


segunda-feira, 20 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28196: Tabanca Grande (584): Eduardo Brito de Azevedo, ex-alf mil inf, GA 7 (dez 1973/out 1974): guardo, acima de tudo, boas recordações da Guiné, das noites africanas, das pessoas que conheci, do ambiente humano...


1. Comentáriodo novo grão-tabanqueiro, nº 917, o Eduardo Brito de Azevedo, ex-alf mil inf, GA7 (Bissau, dez 1973/out 74) (*)

Caros Camaradas e amigos 

Agradeço as vossas generosas palavras de boas-vindas à Tabanca Grande.

Conheço há muito tempo este blogue e reconheço o importante papel que tem desempenhado na preservação da memória de uma geração de portugueses que viveu a Guerra da Guiné. Num primeiro momento, e por razões óbvias, motivado pelo trabalho de recolha e de investigação do Luis Vaz, muitas vezes baseado no espólio do seu pai, coronel de cavalaria Henrique Gonçalves Vaz, último Chefe do Estado Maior do CTIG/CCFAG.

Confesso, no entanto, que tenho algum pudor em escrever sobre a minha própria experiência na Guiné, seguramente menos digna de interesse, menos intensa e menos dramática do que a de muitos camaradas que conheço aqui nos Açores e da reportada em muitos dos depoimentos apresentados no blogue. 

A minha comissão decorreu numa fase muito particular, já no final da guerra, passada quase integralmente em Bissau com esporádicas deslocações ao interior (Mansoa, Porto Gole, Quinhamel...). 

Assisti, antes do 25 de Abril, ao incremento da atividade crescente do PAIGC na periferia e interior da cidade, bem como, após esta data, acompanhei a logística da retirada, tendo participado no movimento, encarregue por Bouza  Serrano (?), juntamente com o Nuno Nazaré Fernandes (BENG 447), de ocupar e promover a transição do Emissor Regional da Guiné. 


Talvez por isso, ao contrário do que transparece em muitos dos testemunhos que conheço, guardo da Guiné, acima de tudo, boas recordações. 

Recordações das noites africanas, das pessoas que conheci, do ambiente humano que encontrei e de um período da minha vida que, apesar das circunstâncias históricas em que decorreu, mantenho com muito agrado na minha memória.

Por todas estas razões não me sinto habilitado a contribuir de forma significativa para o blogue porque não seria honesto criar essa expectativa. Mas, sempre que considere poder dar algum contributo útil para este extraordinário repositório de memórias, fá-lo-ei com muito gosto.

Entretanto, continuarei, como mais um camarada da Tabanca Grande, a acompanhar com interesse os vossos testemunhos e reflexões.

Recebam um forte abraço amigo,
Ediuardo B. Azevedo

2. Comentários à entrada do nosso novo grão-tabanqueiro:

(i) Tabanca Grande Luís Graça

Eduardo, depois de tão calorosa e afetuosa apresentação da tua pessoa à Tabanca Grande feita pelo Carlos Vinhal (que sabe tratar como ninguém a malta da Madeira e dos Açores), só me resta reiterar os votos de boas vindas.

Não preciso de dizer que os camaradas dos Açores ficam aqui todos bem, sentados à sombra do nosso poilão. E pena que muitos deles andem dispersos e anónimos pela diáspora lusófona. ÉCongratulo-me com a tua entrada para o nosso blogue, para mais sendo também tu um homem da Academia como eu. E, além disso, "apadrinhado" pelo Luís Vaz. Mas mais importante é a tua condição de português, açoriano e antigo combatente do valoroso GA 7.

Fico na expetativa de que nos brindes com mais memórias do teu tempo de soldado do fim do Império.  



Caro Eduardo,

​É com enorme satisfação e amizade que te dou as boas-vindas à nossa "Tabanca Grande", o blog Luís Graça & Camaradas da Guiné. 

Como colaborador deste Blog há já mais de 10 anos, já vi muitas histórias cruzarem-se aqui, mas a tua chegada traz-me uma alegria muito particular.

​Recordo-me perfeitamente de que os nossos caminhos se cruzaram pela primeira vez, curiosamente, lá longe na Guiné, eu um adolescente e tu um jovem militar miliciano. Fomos cunhados e a vida encarregou-se de nos apresentar naquele cenário que marcou as nossas juventudes e as nossas vidas para sempre.

​Hoje, entras nesta nossa tertúlia por direito próprio e com uma missão, tornar o nosso Blog ainda maior e mais "rico". Tenho a certeza absoluta de que o teu rigor científico, a tua capacidade de observação e as tuas memórias vão enriquecer imenso as nossas partilhas e o espólio deste nosso blog.
​Sê muito bem-vindo a este nosso ponto de encontro. Que te sintas verdadeiramente em casa entre nós.
(...)

sexta-feira, 17 de julho de 2026 às 00:28:00 WEST 

(iii) Hélder Valério 

Pois, caro amigo Eduardo, que sejas bem-vindo. Foi uma boa decisão. Estamos sempre à espera de enriquecer este espaço com memórias que nos façam "renascer". 

O escrito do Luís Vaz, aqui acima (e também o do Graça) é bem o espelho das expectativas. O nosso Blogue ganhou direito a figurar como um lugar de repositório das memórias da Guiné e é isso que pretendemos que continue a ser.

Claro que nem tudo são rosas... mas, com vontade, as diferenças que sempre aparecem, são na generalidade resolvidas. (...)

sexta-feira, 17 de julho de 2026 às 10:11:00 WEST

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Nota do editor LG:

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28092: (Ex)citações (447): O pessoal das transmissões: músicos, de talento (tirando eu que só tocava ferrinhos): o que é é feito de vocês, camaradas, Luís Dutra (já falecido), Eduardo Pinto, Victor Barros, Carlos Lã, Fernando Cruz, Fernando Marques, António Camilo, Miguel Pacheco, José Fanha, Nélson Batalha (já falecido), e outros, do meu curso de transmissões... (Hélder Sousa)



Cartaz do Grande Concurso do Ié-Ié que decorreu no Teatro Monumental (Lisboa) e teve a sua grande final a 30 de abril de 1966. Organizado pelo Movimento Nacional Feminino, com apoio jornal O Século, RTP, Emissora Nacional, Rádio Clube Português e o empresário Vasco Morgado, o evento foi ganho pelo quinteto "Os Claves" (Lisboa)

Esta final reuniu oito conjuntos e ficou marcada por um ambiente de "explosão juvenil", tendo contado com a presença de bandas de Portugal continental (como Ekos / Lisboa, Jets /Lisboa, Chinchilas / Carcavelos e Os Tubarões / Viseu), bem como representantes de Angola (Rocks), Moçambique (Night Stars) e Porto (Espaciais). 

O concurso marcou a história da música pop-rock portuguesa na década de 60

(Pormenor interessante > Lia-se no cartaz: "A favor das Forças Armadas no Ultramar e através do Movimento Nacional Femino com a colaboração de: 'O Século', Rãdio -Televisão, Emissora Nacional, Rádio Clube Português e Vasco Morgado" (empresário)...



Viseu > Conjunto Académico Os Tubarões > 30 de abril de 1966 > Foto Germano 


Fonte: Blogue da banda de rock "Os Tubarões" (1963-1968), Viseu > 03.01.22 > O Postal Ilustrado
(com a devida vénia..)



Viseu > 23 de abril de 1967 > "Os Tubarões" no palco do Cine-Rossio a 23/4/1967. Festa do 3º aniversário. Da esquerda para a direita: Carlos Loureiro, Victor Barros, José Merino, Luis Dutra e Eduardo Pinto. 



Viseu > 23 de abril de 1967 > "Os Tubarões" no palco do Cine-Rossio a 23/4/1967. Festa do 3º aniversário. 1º parte do espectáucilo: Da esquerda para a direita: Victor Barros,  Luis Dutra e Eduardo Pinto.


Fonte: Blogue da banda de rock "Os Tubarões" (1963-1968), Viseu > 23.04.15 > Festa do 3º aniversário.Cine-Rossio, 23/04/1967 (com a devida vénia..).


Porto > Ribeira > 27 de maio de 2015 > VI Encontro dos "Ilustres TSF" > Em baixo, o Carlos Lã. De pé, da esquerda para a direita: António Calmeiro (já entretanto falecido), M. Rodrigues, Eduardo Pinto, J. Reis, Hélder Sousa, M. Martins, Fernando Cruz e Fernando Marques. Faltou o Nelson Batalha que já não compareceu por razões de saúde, e que viria a morrer, entretanto, um ano e meio depois (*)


Foto (e legenda): © Hélder Sousa (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Lisboa > 20 de Outubro > XI Encontro dos Ilustres TSF > Foto de família > Sentados: Marques, Miguel, Martinho, Cruz e Eduardo. De pé: Lã e Hélder

Foto (e legenda): © Hélder Sousa (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

 
1. Comentário do nosso "ilustre TSF" e colaborador permanente, Hélder Sousa, ao poste P15386 (*), com mais de 10 anos, mas que vem a propósito dos "nossos músicos",  artistas, cançonetistas, fadistas, humoristas, apresentadores de televisão, atores, radialistas, ilusionistas, etc.,  civis e militares, que ajudaram a alegrar os nossos dias no CTIG ao longo dos anos de guerra. Com ou sem o apoio e a benção do Movimento Nacional Feminino, o que para o caso não é relevante (**). 

Alguns, de facto, eram "prata da casa" (Conjunto Académico João Paulo, Conjunto Musical das Forças Armadas, Conjunto Os Bambas D' Incas de...), e não será demais recordá-los. É da mais elementar justiça.

Pelo TO da Guiné passaram filhos de muitas mães, jovens generosos,  inquietos,  fogosos, curiosos, cheios de testosterona, com a ânsia de liberdade, viajar, conhecer mundo, estudar, aprender, trabalhar, amar, jovens da geração da música "yé-yé", gente com múltiplos talentos, que a tropa soube aproveitar nalguns casos, ou desaproveitar, na maior parte dos casos.

Por exemplo, no quartel das transmissões em Santa Luzia, bairro que fazia paredes-meias com o famigerado Pilão, por detrás de um "ilustre TSF" havia sempre (ou quase sempre) um músico desconhecido, como recorda o Hélder Sousa, com a sua prodigiosa memória para os  nomes e terras dos seus camaradas de curso!...  (Aliás, é uma evocação cheia de ternura, que merece ser revisitada.)

Até parece que foram todos escolhidos a dedo, com a única exceção do próprio Hélder,  que, esse,  enganou os gajos das transmissões, dizendo na entrevista de seleção que tinha jeito para engenheiro e até tinha construído... um telégrafo!... (É preciso, lata, camaradas!...Eu não me lembrei dessa, era tanso,  disse que era jornalista e mandaram-me ... para as armas pesadas de infantaria!).

Podiam ter-se feito "n" bandas para alegrar a malta com os "ilustres TSF". Sim, porque a Guiné era triste, chata, plana, os dias custavam a passar como o caraças, as noites um pesadelo, as namoradas estavam longe,  a 4 mil km de distância, a comida era uma merda, a água intragável,  os mosquitos aos milhões, as bolanhas cheias de sanguessugas, as picadas cheias de pó no tempo seco, enfim, não havia primavera nem outono (só duas estações, e não eram de combóio!), não havia nem sábados nem domingos nem feriados... 

Em boa verdade,  nem sei como é que há gajos que têm saudades da Guiné!

Mas, também, é verdade, que a malta estava ali para fazer a guerra e dar cabo do "turra"... Os "ilustres TSF" eram pagos, em primeiro lugar, para apanhar o "turra" na converseta... E só depois é que podiam, nos intervalos do serviço de escuta, pegar na guitarra elétrica, oferecida pela Cilinha, tão querida, que era a nossa "mãe Natal".


2. Leiam o que o nosso Hélder Sousa, hoje engenheior técnico, especialista em higiene e segurança no trabalho, ribatejano, a viver hoje em Setúbal, nos conta (em 2015...), desses tempos em que podíamos ter sido tão felizes (o Hélder Valério de Sousa foi fur mil trms TSF, Piche e Bissau, 1970/72; candidato a régulo da Tabanca de Setúbal, uma tabanca que nunca chegou a abrir) (***);

(...) Em meados dos anos 60, conforme calculo que se lembrem, decorreu o Concurso "Yé-yé" em que diversas bandas de "rock" actuavam em eliminatórias no Cinema Monumental, em Lisboa.

Tratou-se do primeiro grande impulso da música "rock".

Influenciados pelo modelo de "The Shadows", com 3 violas e 1 bateria, como base, e depois com vocalista dedicado ou também músico, havendo por vezes teclas. enfim, lá se foram proliferando conjuntos por esse País fora e isso ajudou a aglutinar muita juventude.

As eliminatórias foram-se sucedendo e houve a final. Entre os conjuntos finalistas estavam "O Conjunto Académicon Os Tubarões", de Viseu. Não ganharam, eram da província... [ Pelo menos, chegaram às meias-finais, em 15 de janeiro de 1966, e deppois às finais, em  ] 
  • Dois dos seus elementos, o Luís Dutra (infelizmente falecido em 2013, vítima de "doença incurável" por acção do tabaco nos pulmões) e o Eduardo Pinto, foram meus colegas de curso nas Transmissões, fazendo parte do grupo que eu costumo chamar de "Ilustres TSF".
Foram os dois para a Guiné, mobilizados em rendição individual, tal como eu, e ao mesmo tempo que eu.

O Dutra foi inicialmente para Farim. Por motivos de saúde, se bem me lembro um problema qualquer de coração, veio para Portugal e voltou mais tarde para lá. O Eduardo esteve todo o tempo na Escuta, sendo um dos seus iniciadores.

  • Além deles também um outro elemento de "Os Tubarões", o Victor Barros, esteve nas Transmissões e também na Guiné.
Do meu curso, além desses dois, alguns mais eram músicos. Tenho para mim que essa ligação à música acabava por induzir o encaminhamento para o morse, para as Transmissões/TSF.

  • O Carlos Lã era de um conjunto do Algarve e ainda hoje [em 2015...] está no activo nas animações dos Hotéis, mesmo depois de deixar de ser "residente" do Montechoro.
  • O Fernando Cruz, do Porto, tinha também a sua banda de garagem;
  • O mesmo com o Fernando Marques, de Alhandra, o António Camilo, de Castelo Branco, o Miguel Pacheco, de Barcelos, o José Fanha (primo do animador da televisão), da Meia Via, Tomar, o Nélson Batalha, que tocava acordeão e órgão num restaurante com música ao vivo em Setúbal.
O curso tinha mais 6 elementos:
  • o José Canudo, de Elvas, de que não tenho a certeza se tinha alguma relação com a música;
  • o mesmo digo do António Calmeiro, de Tinalhas;
  • e do José Alves, de S. Miguel;
  • sendo que o José Reis, do Porto, era funcionário da Emissora;
  • o Manuel Martinho tinha abandonado o Seminário de Fátima (costumo dizer que era especialista em 'campainhas de missa');
  • e eu, Hélder Valério de Sousa, apenas tinha dado a informação de ter construído um telégrafo.
Mas muitos mais elementos ligados à música estiveram nas Transmissões, conforme já tem aparecido notícias por aqui.

Um deles, por exemplo, foi o Vítor Raposeira, aqui de Setúbal, que ainda recentemente tem andado a reanimar os "Sixties".

Hélder Sousa


(Seleção, revisão/fixação de texto, negritos, parênteses retos,links,  título: LG)

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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de > 19 de novembro de 2015 > Guiné 63/74 - P15386: Álbum fotográfico de Alfredo Reis (ex-alf mil, CART 1690, Geba, 1967/69) (2): A visita, à sede da companhia, do Conjunto Académico João Paulo, em 24 de agosto de 1968

(**) Vd, poste de 8 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28081: Movimento Nacional Feminino: as tournées de artistas conhecidos, com apoio dos meios empresariais do espectáculo - Parte I

sexta-feira, 20 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27842: Memória dos lugares (454): Roteiro de Bissau: loja Salgado & Tomé (que tinha uma secção de perfumaria)


Guiné > Bissau > s/d > Loja Salgado & Tomé, anos 60



Fonte: anúncios de casas comerciais inseridos na revista Turismo, jan/fev 1956, ano XVIII, 2ª série, nº 2 (nº especial dedicado à província portuguesa da Guiné) 


Mapa de parte da baixa da velha Bissau (colonial), entre a Avenida da República (hoje, Av Amílcar Cabral) e a fortaleza da Amura. A escuro, dois prédios que pertenciam a Nha Bijagó. A vermelho, está loja Salgado & Tomé, a que se refere a foto de cima. Teria frente para a antiga Rua Honório Barreto e traseira para a antiga Rua Dr. Miguel Bombarda?

 Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)
Fonte: adapt. de António Estácio, em "Nha Bijagó: respeitada personalidade da sociedade guineense (1871-1959)" (edição de autor, 2011, 159 pp., il.)


Guiné-Bissau > Bissau > s/l > s/d > Antigo edifício da Galp Energia, que já foi Petromar e, antes, no tempo colonial, era a loja Salgado & Tomé. Imagem, reproduzida com a devida vénia da página do Facebook O Homem Novo, 9 de outubro de 2023.



"Água Selvagem" (em português), o perfume da Dior que o  Hélder Sousa usava na Guiné, no início dos anos 70. Era comprado na loja Salgado & Tomé, Bissau, que tinha uma secção de perfumaria.


1. Na página do Facebook  da Society for the Promotion of Guinea Bissau, 4 de abril de 2021 (que eu ainda não sei quem é que a administra, etc.) fui encontrar esta foto, com uma sucinta legenda: "Salgado & Tomé, anos 60".

Lembrei-me de uma conversa esta manhã, ao telemóvel, com o Hélder Sousa, aliás o senhor engenheiro, nosso colaborador permanente, provedor da Tabanca Grande. 

Recordam-se que ele publicou ontem um poste sobre o "Eau Sauvage" (*), o perfume francês que ele usava na Guiné, durante a sua comissão como fur mil trms, TSF (Piche e Bissau, 1970/72). Para se sentir gente, lavado, perfumado, civilizado, mais próxima da sua terra e dos seus...

Ora, eu não me lembro de ser um artigo fornecido pela Intendência para ser vendido nas nossas cantinas... Portanto, só em Bissau (e, eventualmente, em Bafatá) seria possível encontrar este produto da perfumaria pariense, lançada em 1966 (!)... 

Mas havia quem também usasse outras marcas, "Old Spice", Brut".... Dizia ele que era para "lavar a alma"... E voltou a usar, de novo, esta "eau-de-toilette"... Uma boa decisão para a sua saúde física e mental, porque  o mundo em que a gente vive,  continua a cheirar tão mal (não o cito "ipsis verbis", mas o sentido é este)...

Por outro lado, e se bem percebi, o produto podia adquirir-se em Bissau, na loja Salgado & Tomé... (O senhor Tomé era tio do hoje cor cav ref Mário Tomé, mais conhecido popularmente por "major Tomé").

2. A foto da página do Facebook da Society for the Promotion of Guinea Bissau, 4 de abril de 2021, que acima reproduzimos não tem  indicação de fonte, o que já é normal nas redes sociais. Aproveitei os saborosos comentários que os leitores (a  maior parte guineenses, se não todos) foram deixando:

Comentários (de há 4/5 anos atrás):

Elisabete Almeida Nunes

Na loja do sr. Tomé, onde os meus pais me compravam as bonecas... Adorava aquela loja e recordo o sorriso do sr. Tomé.

Tino Cabral

Loja onde o meu pai João Bucansil Cabral trabalhou com senhor Anselmo Vieira (tio de Nino Vieira) e o senhor Manuel Casimiro,  pai de Rui Casimiro.

Justino Filipe da Costa

Loja Salgado & Tomé, e sua rotunda. Sita no Largo da antiga rua Miguel Bombarda. Eu conheço três senhores que aqui foram empregados desta loja:  João Bucancil Cabral (vulgo "Djón de Tomé"), é pai de Épifânio Bucancil; Anselmo Vieira, é pai do Nino, o meu colega; e Manuel Moreira Casimiro, pai do grande craque  de futebol,  Rui Casimiro.

"Bom Tempo de nó Bissau".

Sanba Embalo

Cidade muito limpo.

Ninfa Lopes

I era ba um gosto di djubi Bissau cidade limpo

Antonio Augusto Simoes da Silva

Perto da Amura....

Aladji Adji Mutaro

Atual sede de Petromar

Rosário Queirós Lopes

Hoje Petromar

(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)
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Notas do editor LG:


(**) Último poste da série : 2 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27175: Memória dos lugares (453): Ganguiró, tabanca abandonada, no subsector de Canjadude, setor L4 (Nova Lamego), de má memória para a CART 1742, a CCAÇ 5 e a CCP 123 / BCP 12: lá morreram, pelo menos, 4 camaradas nossos, em 8/11/1967 e 15/4/1971

quinta-feira, 19 de março de 2026

Guiné 61/74 – P27838: (Ex)citações (446): A necessidade de mudar (Hélder Valério de Sousa, ex-Fur Mil TRMS TSF)

Hélder Valério de Sousa, ex-Fur Mil TRMS, TSF (Piche e Bissau, 1970/72)
Provedor da Tabanca Grande


1. Mensagem do nosso camarada Hélder Valério de Sousa, com data de 8 de Março de 2026:

Caros camaradas
Envio este pequeno texto, não como "manobra de diversão" relativamente aos temas "pesados" que temos vindo a viver ultimamente, mas sim para apontar uma possível atitude para contrariar os desânimos.
A foto em anexo da "Eau Sauvage" foi retirada da net.

Abraços e "saudinha da boa".
Hélder Sousa



A necessidade de mudar

Hoje, agora, deu-me para isto!

Claro que todos os dias sabemos do falecimento deste ou daquele, uns mais próximos, outros nem tanto, uns que nos dizem alguma coisa e outros nem por isso.

Mas foram as frases e as ideias republicadas do A. Lobo Antunes que, por um lado, me despertaram estas lembranças e por outro, também talvez a necessidade de voltar a proceder como em tempos idos.

Recentemente ao passar numa perfumaria para comprar um presente, reparei num produto que me fez lembrar de algo. Tratava-se de uma “Eau De Toilette” chamada “Eau Sauvage”.

Perguntei à menina da perfumaria se aquele produto era recente ou antigo. Respondeu que “era antigo, que era bom, mas que agora havia coisas novas, mais recentes, que tinham melhor saída”.

E voltei eu a perguntar “antigo de quanto? Aí uns 10 anos? E ela disse: “não, mais um bocado, talvez 15 ou 20”!

Assim tanto? Perguntei aparentemente admirado. E ela disse, “pois não sei, mas é bem antigo!” Para desfazer enganos disse-lhe então que faziam 55 anos que tinha por hábito usar esse produto adquirido em Bissau, demonstrando assim a sua bem longa antiguidade.

Foi a vez dela ficar a mostrar estranheza, a perguntar porquê e para quê esse perfume e a agradecer os seus novos conhecimentos.

Disse-lhe então que, por aqueles tempos, naquelas paragens, usava-se o “Old Spice”, o “Brut” e outros, mas eu optei por aquele, talvez por causa do nome “sauvage”… e que o objetivo era o de me sentir mais próximo dos familiares e dessa maneira mais afastado dos locais de guerra. Assim, a modos de um “lavar de alma”.

Este pequeno episódio, aliado aos tempos cada vez mais conturbados e incertos que se vivem, despertou em mim a lembrança de que talvez fosse bom voltar a “perfumar-me” para tentar afastar os maus prenúncios.

Na Guiné, resultou. Pode ser que aqui e agora, também.

Abraços
Hélder Sousa
Fur Mil Transmissões TSF

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Nota do editor

Último post da série de 16 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 – P27537: (Ex)citações (445): Literatura da Guerra Colonial? (Alberto Branquinho, ex-Alf Mil Art da CART 1689/BART 1913)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27582: Prova de vida e votos de boas festas 2025/26 (17): O "Bom Natal" já passou e foi, alegadamente, uma época para manifestarmos o melhor de cada um de nós... (Hélder Valério de Sousa, ex-Fur Mil TRMS/TSF)

Créditos: Pinterest.pt


1. Mensagem do nosso camarada Hélder Valério de Sousa, ex-Fur Mil TRMS, TSF  (Piche e Bissau, 1970/72), com data de 28 de Dezembro de 2025:

Caros amigos,
Estamos agora em plena época das "Festas Felizes", balizada pelo "Bom Natal" e pelo "Bom Ano Novo".

O "Bom Natal" já passou e foi, alegadamente, uma época para manifestarmos o melhor de cada um de nós, vivendo em harmonia familiar, em amizade, em são convívio, perdoando as ofensas e retomando o que se teria perdido ao longo do ano. Claro que entre as correrias para compras várias, para os jantares da "Consoada", para as prendas (ou "simples lembranças"), pouco tempo terá sobejado para pensar na razão de ser do Natal. Mas isso, certamente, terá sido assessório....

Estamos prestes a entrar nos grandes desejos, ou formulação deles, para o Novo Ano. Não tem mal algum fazermos essas "declarações de intenções", mas melhor seria se se conseguisse alguma aproximação entre os desejos e as realidades.

Vou-me atrever a "dizer coisas" que, como vocês bem sabem, é apanágio dos que "não falam, apenas dizem coisas".

Então, apesar de ter muita dificuldade em vislumbrar algo de positivo nos tempos que se aproximam, no plano internacional e também no plano nacional, declaro que me vou esforçar para continuar a ser "ingénuo", a querer acreditar que "há pessoas boas", que essas vão conseguir sobreviver à maldade e que isso irá permitir que o "Bem" vença o "mal".
Portanto, em termos de formulações, posso dizer que é meu desejo que a harmonia aumente e se cimente entre nós, que as diferenças existentes (e que assim continuem, pois a diversidade é que pode fazer com que a soma das partes seja maior) não sejam pretexto para divergências, que o conjunto concorra para elevar o nosso comum desempenho.

Claro que também desejo "saúde para todos".

Hélder Sousa

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Nota do editor

Último post da série de 24 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27569: Prova de vida e votos de boas festas 2025/26 (16): João Rodrigues Lobo, ex-Alf Mil, CMDT do Pel Transportes Especiais do BENG 447; João Câmara, ex-Fur Mil Inf da CCAÇ 3327 / Pel Caç Nat 56 e Tabanca do Centro